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terça-feira, fevereiro 4

Resenha #6 - O Sonho de Eva, Chico Anes


O Sonho de Eva, Chico Anes

      Chico Anes, em seu segundo livro, aborda de maneira interessante a ficção científica, a psicologia, a religião e a filosofia numa mistura inesperada, dando um comichão nos leitores atentos às metáforas e às referências sutis.
      O livro é narrado em terceira pessoa, focando em Eva, ou na Dra. Abelar, quando está diante de seus colegas cientistas. A história se inicia quando Joachim, seu filho, desaparece sem deixar rastros na mesma noite em que Anna, sua irmã, pula do 20º andar de um edifício. Em meio a vários problemas, Eva é convidada por Yume a assumir o lugar da irmã em um projeto chamado DreamGame, um invento revolucionário que permitirá às pessoas jogarem enquanto dormem. Desconfiada, Eva decide trabalhar com Yume para tentar conseguir pistas sobre a tragédia que envolveu Anna, mas ao conhecer a grandiosidade do projeto descobre que a sociedade está vulnerável demais à tecnologia, sendo submetida ao sequestro da liberdade e do livre-arbítrio.
      A sinopse parece mais um filme que passa de vez em quando nos cinemas brasileiros, não é? Esse é bem o clima da história, desde os nomes bastante "universais" - para não dizer não-brasileiros - a cenários que poderiam muito bem fazer pano de fundo para uma ficção científica contemporânea.
      Todos os elementos desse livro, apesar das críticas anteriores, se encaixam muito bem juntos. A filosofia empregada em passagens reflexivas sobre o que se passava, os sonhos metafóricos de Eva e a relação dela com outros personagens durante a trama é simplesmente intrigante. O método como o autor estruturou as ideias nesse livro é muito bom, e diversas vezes me vi pensando em significados para o que acabara de ler. A simbologia de Eva é muito explorada, e as passagens sobre sonhos lúcidos foram os fatores mais intrigantes que me fizeram virar as páginas cada vez mais rápido.
      Consegui perceber alguns erros um tanto simples, mas que me deixaram um tanto desapontada. As passagens onde existe muita ação e tensão, por exemplo, são bem rasas. A descrição deveria ter sido melhor trabalhada nesses pontos, pois contribuiria muito na constituição da história. Outro aspecto que senti falta foram passagens das pesquisas da Dra. Eva. Nossa, como senti falta! A prática dessas pesquisas foi bem apresentada, mas as teorias e pontos chaves sobre os sonhos lúcidos foram deixados de lado para seguir o caminho para o desaparecimento do filho e a morte da irmã. Sério, se as pesquisas fossem mais exploradas com certeza esse livro estaria - ainda mais rico - em detalhes e informações diferentes.
      A escrita é muito fácil, bem tranquila de se ler. Chico Anes tem umas metáforas tão sutis que somente nos damos conta de que eram metáforas depois de algumas páginas. Eva é muito bem caracterizada, mas os outros personagens nem tanto. São um pouco rasos, na minha opinião. O desfecho é cheio de desvios, caminhos diversos, e o final é um pouco clichê. Apesar disso a história nos encanta pela riqueza de detalhes de outras áreas, como a psicologia, a religião e a filosofia. É um livro que recomendo muito para quem gosta do gênero de ficção científica e quer ver como um autor nacional contemporâneo aborda isso.
      E preciso falar da capa maravilhosa? Não, obrigada. Tudo me faz crer que os livros nacionais estão cada vez melhores, inclusive nas edições!

sexta-feira, dezembro 6

Resenha #5 - Os Imortais 01: Para Sempre, Alyson Noël

Os Imortais 01 - Para Sempre, Alyson Noël

      Por cima de alguns clichês manjados, Alyson Noël incrementa aspectos espiritualistas e aspectos completamente fictícios em sua obra divertida, porém mantém a previsibilidade.
      O livro é narrado em primeira pessoa pela Ever, uma adolescente que já teve uma vida socialmente saudável e sem preocupações, mas que perde a família e parte da autoestima num acidente de carro. Seu antigo jeito de ver a vida muda drasticamente após ficar órfã e ter que morar com sua tia sem o menor jeito com jovens ou relacionamentos. Como se já não bastasse tantos problemas, como mudar de escola, cidade e amigos, Ever adquire o dom de ver as auras das pessoas, e com isso saber quais são suas reais intensões e pensamentos.
      A história é interessante por isso; o dom de Ever é algo que não havia visto ainda em um livro para adolescentes. Os panoramas paranormal e contemporâneo se mesclam em algo um tanto diferente do que se vê em livros para essa faixa etária, já que puxa para o lado espiritual - pouco explorado até então. Alyson Noël teve uma boa ideia, mas ao inserir um clichê personificado - um garoto misterioso que deixa Ever de pernas bambas - em sua história faz com que as expectativas que se constrói ao começar a ler desmoronem em parte.
      Como já dito, o garoto misterioso provoca as famosas sensações desagradáveis que a adolescência proporciona. E juntamente com isso, desenvolve um relacionamento um tanto improvável com Ever - algo tipo Edward Cullen, já que ambos têm a tendência de sumir por períodos indeterminados -. Além do fator clichê, o romance não se sustenta porque a garota não conhece quase nada do garoto! Sério, Ever?
      O mistério ao redor de Damen é simples, e por simples eu quero dizer que solucionável com relativa facilidade. Se ao ler o leitor tiver atenção, verá bem o porquê de "os imortais" na capa. Eu, completamente desatenta, acreditei se tratar de vampiros... Já houve dias em que minha cabeça trabalhava melhor, confesso.
      A relação de Ever com os amigos parece ser bem próxima, mas não dá para sentir o quão próxima ela é. Já na relação de Ever com Sabine de cara se identifica o quão são distantes uma da outra, mesmo que merecesse um desenvolvimento melhor. O relacionamento mais aprofundado é o de Ever e Damen, o que tira muitos pontos positivos do livro, já que também é uma relação um pouco insustentável.
      Para Sempre tem alguns momentos engraçados, mas o ponto não é esse. Como um primeiro livro de uma série, é até razoável em questão de solução de problemas. Tão razoável que possivelmente o leitor ficará satisfeito com apenas esse livro, se realmente quiser passar para algo mais complexo. Como divertimento, Para Sempre é bastante válido. Quem sabe nos próximos volumes o andamento da história seja melhor....

sexta-feira, novembro 29

Resenha #4 - O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman


O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman

       Autor de best-sellers com mitologias diferenciadas da maioria das obras de hoje, carregadas de clichês, Neil Gaiman causa impacto numa obra bonita que injeta adrenalina e reflexões no corpo e na mente do leitor. 
      A história permeia nas lembranças do protagonista, que não possui nome, a respeito de sua infância, suas experiências e visões sobre situações que talvez sejam reais ou não. Em alguns momentos as opiniões do adulto interferem na visão que temos dos acontecimentos, e às vezes a criança nos pega pelo pé e faz com que sintamos junto com ela toda a carga emocional do livro.
      Neil Gaiman consegue fazer com que sintamos algo pelo que ele escreve - raiva, tristeza, encantamento, revolta, felicidade, qualquer um desses e mais alguns -, e somente por isso esse livro já pode ser considerado bom. Neil é bom, e não é pouco. O problema quanto a este livro - que não acho bem um problema - é o aspecto curioso de que não são todas as pessoas que vão se identificar, mas isso não desmerece nem um pouco sua qualidade.
      O sentimento que experienciei em quase toda a leitura - que foi muito rápida, inclusive - foi o de incredulidade. Talvez tenha sido o momento errado, mas minha experiência não foi extraordinária. Ah, como eu queria que tivesse sido! E mesmo com esse gosto de 'está faltando algo aqui', não consegui achar um fator que desmerecesse a obra. É fantástica, sim! A escrita do Neil Gaiman é fácil, e esse livro é o que é e não precisa de firulas para fazer você sentir.
      Ritmo que Gaiman se vale é marcado no tempo certo, com passagens rápidas e lentas nas horas mais convenientes. Os personagens não têm uma descrição muito profunda, mas ainda assim você consegue saber o que está lá no fundo! Aliás, somente com a visão do garoto já se percebe na hora o que está acontecendo... E esse livro possui uma das antagonistas mais fantasticamente diabólicas da literatura dessa década, pelo menos, na minha humilde opinião.
      A edição brasileira está muito boa, com a capa em forma de brochura, textura gostosa, papel amarelado, capa m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a e as orelhas que muita gente gosta. O último adendo para os que pretendem ler Neil Gaiman: como iniciante no mundo desse escritor, aconselho a não começar sua jornada com este livro. Já vi comentários de que ler suas obras na ordem de publicação ajuda a compreender o pensamento do escritor. Em minhas próximas leituras do autor prestarei atenção a essa questão... E sim, vá ler Neil Gaiman!

domingo, novembro 10

Resenha #3 - Cidades de Papel, John Green

ESTA RESENHA PODE CONTER SPOILERS, DETALHES IMPORTANTES OU FATOS CRUCIAIS PARA A COMPREENSÃO DA HISTÓRIA. SE VOCÊ SE INCOMODA COM ESTE TIPO DE ABORDAGEM, POR FAVOR NÃO LEIA!


Cidades de Papel, John Green

      John Green, escritor de best-sellers para jovem adultos, chama a atenção para si numa narrativa gostosa de acompanhar, mas peca ao construir os personagens desse livro até certo ponto decepcionante.
      O livro conta a história de Quentin Jacobsen, um adolescente com poucos amigos que possui uma paixão platônica por sua vizinha há muitos anos, Margo Roth Spiegelman. Num dia cinco de maio que poderia ter passado como qualquer outro, a garota procura por ele para uma aventura, e aceitando os termos propostos por Mago, Quentin a ajuda. Alguns dias após o passeio de carro a altas horas da madrugada, Margo Roth Spiegelman desaparece, o que aviva a curiosidade de Q e faz com que ele encontre pistas que podem levá-lo até ela.
      Embora a primeira frase dessa resenha tenha mencionado má construção de personagens, alguns deles são bem consolidados, principalmente Quentin. Q, para os íntimos, tem uma sede por saber bastante interessante, e ela é bem explorada na história. Em contra partida, um lado da sua personalidade não tão atraente é o fato de ele ser submisso ao ponto de exautar Margo Roth Spiegelman - e ele repete esse nome por completo a história inteira -. Esse endeusar que é característico dele irrita muito, sem falar que ele é o típico "nerd loser".
      Os amigos de Quentin são até bem apresentados, mas não conseguimos identificar muito bem o posicionamento deles em algumas partes da história. Radar é o personagem sensato de todo o livro, com uma maturidade que os outros não compartilham que me fez gostar dele em poucas páginas. Já o Ben é um tanto chato por querer sempre ser o mais popular da escola. Tanto que numa cena ele tem uma briga com Quentin, e aí o leitor pode perceber melhor quem é Ben de verdade. Particularmente não seria um bom amigo na vida real, pois pessoas assim não conseguem se contentar com os amigos que tem, sempre estão em busca de mais.
      A personagem da Margo foi a que simplesmente não consegui me ater. Ela molda a história de um jeito desagradável, pois ela permeia todas as ações tomadas pelo principal e consequentemente pelos  personagens secundários. Essa pode ter sido a única vez em que concordei com Ben, que apesar de chato sabe que o amigo está sempre lá por Margo, e a mesma não liga para isso. Com personalidade inconstante e visivelmente problemática, Margo é afetada pela criação desleixada que teve. Os pais têm uma parte fundamental nessa personalidade controversa dela, mas não são totalmente culpados. A impressão que tive foi que Margo adorava jogos de sedução, e consequentemente chamar a atenção de todos para si.
      Cidades de Papel possui um panorama agradável, que instiga o leitor a continuar. Li esse livro em um dia, e marquei com alguns post-its passagens que para mim descreviam bastante da cena em questão ou que descreviam personagens. A escrita de John Green é fluida, até bem humorada, mas o desenrolar da história - principalmente o final - não contribuiu para o leitor ser tocado, ou mesmo a se identificar com os personagens e seus dramas. Foi a primeira obra que li desse autor, e digo que não recomendo começar a ler John Green por esse livro se você não gosta de personagens irritantes.
      Apesar de tudo, John Green sabe entreter. Algumas das mensagens passadas nesse livro são de que não conhecemos uma pessoa em sua totalidade, que julgamos pelas aparências e até que projetamos essas aparências e julgamos por um conceito inexistente. A leitura te faz refletir em algumas passagens, e alguns quotes são bastante interessantes. Pode ser um livro interessante se ver o lado humano que é tratado na obra, mas também pode ser um livro chato por causa da personagem "musa" que permeia toda a narrativa.
      

quarta-feira, outubro 16

Resenha #2 - Perdida, Carina Rissi

Perdida, Carina Rissi

      Escritora brasileira que já se aventurou no mercado literário alemão, Carina Rissi consegue encantar e aprisionar o leitor em seu livro de estreia, tanto pela boa construção de personagens e conflitos quanto pela simplicidade e despretenção da história.
      Tudo começa em uma metrópole brasileira não especificada, onde vive Sofia Alonso, uma viciada em tecnologia e em trabalho que passa por uma situação um tanto quanto inusitada. Após comprar um novo celular, algo misterioso envolvendo o aparelho faz com que Sofia descubra que não está mais em seu próprio século, e que a visão de carruagens e homens andando à cavalo não é pura imaginação. Depois do choque inicial, ela tenta a todo custo descobrir um meio de voltar para casa, e conta com a ajuda da família Clarke, que a recebe como uma agregada da família. Com o passar do tempo ela percebe que o que se quer às vezes não é a mesma coisa que o que precisamos, e que talvez a vida que levamos não é exatamente o que deveríamos estar vivendo.
      De boa construção de personagens se baseia Perdida. A personagem principal é a mais chamativa por um motivo simples e que percebemos logo no início da narrativa: Sofia Alonso é hilária. Tanto seu linguajar contemporâneo quanto as percepções que ela tem do que acontece ao seu redor arrancam algumas risadas. Os diálogos que ela trava com Ian Clarke, o chefe da casa em que ela se hospeda, são muito engraçados. Sua construção como ser humano deu-se de fora para dentro, pois como uma mulher da metrópole no século XXI, tem conceitos muito cristalizados sobre independência feminina, casamento e relação entre homens e mulheres, e somente a troca de ambiente possibilitou seu crescimento.
      A narração flui a ponto de você só largar o livro ao terminá-lo, embora a história tenha sua porcentagem de previsibilidade. Perdida é aquele tipo de livro que deve ser lido como passatempo, despretensiosamente. Não existem valores humanos abordados com profundidade, apesar de ter um leve questionamento interior sobre nossas decisões e como elas podem fechar caminhos que nem sabíamos da existência.
      Um aspecto solto e que o leitor perceberá facilmente é o fato de Sofia ser descrita na sinopse como viciada em tecnologia e essa descrição não ser seguida a risca durante a história. Por viciada em tecnologia, dá-se a ideia de que a pessoa não conseguiria viver sem ela, e ter verdadeiras "crises de abstinência" seria o mínimo a acontecer, e nada disso passa pela Sofia. Deu a entender que ela apenas gostava de tecnologia, e não que era viciada, pois ao passar muito tempo no século XIX ela só quer voltar para casa, e nem uma vez  - ou poucas vezes - reclama da falta de modernidades da época.
      No geral, Perdida é um bom livro de estreia, sem muitas falhas e que possui uma história água com açúcar. Algumas pessoas mais sensíveis podem ter crises de choro, mas nada tão depressivo. Os personagens secundários são bem construídos, mas não ganham mais importância que a principal, e isso é o que deveria acontecer com todos os livros. Recomendável para quem quer uma leitura leve para passar o tempo, para quem gosta de romance e para quem gosta de histórias simples e bem executadas.
      Uma coisa curiosa é que ao término da leitura, a capa te causa mais simpatia que ao início. Antes de ler eu não gostava da capa, mas ao terminar o livro não pude continuar com a mesma opinião.

quinta-feira, março 21

Resenha #1 - Querido John, Nicholas Sparks

Querido John, Nicholas Sparks

     Escritor invicto de best-sellers, Nicholas Sparks nos encanta com "Querido John", convencendo de que o amor pode muitas vezes perder seu rumo, e que talvez aja tempo para tudo acontecer durante a vida. 
      A história se passa em Wilmington, Carolina do Norte, onde vive o jovem rebelde John Tyree. Sem grandes expectativas, John curte uma vida que para muitos é considerada sem um propósito: pousando em vários empregos, bebendo cerveja no final do dia com colegas de escola, surfando até dizer chega, e finalmente chegar em casa para encarar a estranha relação com seu pai. Algum tempo depois, John vê que aquela vida não era para ele, e foi aí que ele decide se alistar para o exército dos Estados Unidos. Em uma de suas licenças, ele conhece a pessoa que muda sua vida para sempre: Savannah Lynn Curtis. E como é de se imaginar, um amor de escalas universais é nos apresentados por meio de várias cartas e telefonemas, nos revelando um pouco sobre a vida no exército, a experiência de ter uma relação com alguém que fica fora durante um ou dois anos ininterúptos, autismo e síndrome de Asperger, e a construção de uma relação antes inexistente entre pai e filho. 
      Em todos os seus atributos, "Querido John" é uma triste história de amor que transborda emoção. Ela faz jus aos que já experimentaram o exército, ou pelos menos conhecem alguém que esteve a serviço pelo seu país. Nas entrelinhas, pude sentir o sentimento de união entre os soldados do sargento Tyree. Quanto a isso, é um lado positivo, pois cheguei a imaginar se esta história não teria sido baseada em uma vida real. Não me surpreenderia se caso isso acontecesse. Uma das coisas que mais apreciei nesse livro foi a relação amigável e "inexistente" que se estabeleceu entre o narrador-personagem e seu pai. Isso só aconteceu porque Savannah, de certa forma, abriu os olhos daquele ex-rebelde. A compreensão e a suspeita do que se passava com o pai podia ser sentida pelo leitor. 
      Já vi comentários por aí de que Sparks teria um exagero pela carga emocional, e que isso prejudicava a leitura. Com todo respeito, eu discordo disso. Para quem lê - e até para quem escreve -, vão me entender quando digo que fazer alguém se emocionar é difícil. Contando com todas as personalidades extremamente diferentes dos leitores espalhados pelo mundo, se um autor consegue fazer pelo menos alguns se emocionarem - a ponto de chorar, como foi o meu caso -, já é uma vitória. Um filme, por exemplo, é muito mais influenciável, com suas sequências dramáticas e fundo musical sério. Agora algo nu e cru, como um livro, é - e precisa ser - o meio de entretenimento mais sentimental do mundo. Quando lemos as palavras, elas nos dizem o que aquela pessoa está sentindo. Querendo ou não, o autor sempre acaba passando algo de si para sua obra. Conhecemos alguém pela maneira de escrever, é nisso que acredito. Nicholas Sparks é alguém direto, emotivo e bastante empenhado no que faz. 
      Para os que querem uma história água com açúcar e fácil, podem se deliciar com "Querido John". A linguagem é objetiva e ao mesmo tempo bastante pessoal. Mesmo que o narrador-personagem seja um homem, acho que Sparks se daria bem ao escrever um livro com uma narradora. Se por acaso houver alguma esperança de que Savannah nos alegre com uma história só sua, eu terei o prazer de ler! Sua personalidade também é algo bastante interessante, e sua devoção por cavalos deixa tudo ainda melhor. 
      O que me deixou um pouco triste é que a edição que consegui - 10ª Impressão 2010 -, tem a capa como cortesia da Sony Pictures Entertainment Inc. Digo que a capa original é bem mais charmosa, e dá um ar mais pessoal para a obra. Finalizando, em questão de nota, eu daria 10 de 10.